A sarna sarcóptica é uma das maiores ameaças invisíveis aos lobos-guarás que vivem em paisagens compartilhadas com humanos e seus animais domésticos. Diferente de doenças com sintomas mais óbvios, ela age devagar, debilitando o animal por semanas ou meses até comprometer fatalmente sua sobrevivência na natureza.
O que é, e como se transmite
Causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, a sarna sarcóptica é altamente contagiosa entre mamíferos. Em zonas rurais, o vetor mais comum é o cão doméstico não vacinado e sem vermifugação regular, que entra em contato com a fauna silvestre por meio de fezes, abrigos compartilhados ou contato direto.
Em lobos-guarás, os primeiros sinais incluem:
- Perda progressiva de pelo, sobretudo nas patas, cauda e dorso
- Coceira intensa e feridas por arranhão
- Perda de peso visível
- Letargia e dificuldade de caçar
Por que é tão grave pra fauna silvestre
Um cão doméstico com sarna pode ser tratado com medicação. Um lobo-guará silvestre, não — ele está sozinho no meio do Cerrado, com o sistema imunológico cada vez mais comprometido e sem condições de se alimentar adequadamente. A morte por sarna é lenta, dolorosa e infelizmente bem documentada na região.
O que cada um de nós pode fazer
- Vacine e vermifugue seus cães, especialmente se você mora ou trabalha em área rural.
- Não deixe cães soltos em áreas de mata, mesmo durante o dia.
- Reporte avistamentos de lobos com sinais de sarna pelo WhatsApp do projeto. Quanto mais cedo identificamos, mais rápido conseguimos avaliar a extensão e o risco pra população.
O que estamos fazendo
O projeto monitora ativamente sinais de sarna nos lobos da nossa área de estudo via amostras coletadas em campo e análises laboratoriais. Também atuamos junto a produtores rurais e comunidades locais com campanhas de vacinação e orientação sobre manejo responsável de cães domésticos. A coexistência entre fauna silvestre e a comunidade rural passa, antes de mais nada, por cuidar bem dos animais que vivem dentro das nossas propriedades.

