Existem algumas espécies que os biólogos chamam de "bioindicadoras". São animais cuja simples presença numa região nos conta muito sobre o estado de saúde daquele ambiente. Onde há bioindicadores, o ecossistema funciona. Onde eles somem, algo está colapsando.
O que torna uma espécie bioindicadora
Bioindicadores costumam ser espécies sensíveis a alterações no habitat, dependentes de cadeias alimentares específicas ou exigentes quanto à qualidade de água, solo ou cobertura vegetal. Quando o ambiente piora, são as primeiras a desaparecer. Quando melhora, são as primeiras a voltar.
Quem encontramos na nossa área de estudo
Nos 135 km² monitorados pelo projeto, registramos um cardápio rico de espécies indicadoras:
- Tamanduá-bandeira — depende de cupinzeiros e formigueiros saudáveis
- Tatu-galinha — solo permeável e baixa perturbação
- Quati e cachorro-do-mato — necessitam de matas conectadas
- Onça-parda e jaguatirica — topo da cadeia, indicam presa abundante
- Seriema — campos limpos e sem agrotóxicos pesados
O que isso quer dizer
A presença dessas espécies, junto à do próprio lobo-guará, indica que nosso fragmento de Cerrado paulista, apesar de cercado por canaviais, ainda mantém funções ecológicas básicas. É um motivo pra celebrar — e pra trabalhar duro pra manter esse estado.

