Quando se fala em Cerrado, a maioria das pessoas pensa em Goiás, Mato Grosso ou no Distrito Federal. Pouca gente lembra que o estado de São Paulo já foi coberto por esse bioma — e que ainda existem fragmentos vivos do Cerrado paulista no centro-leste do estado.
O bioma mais ameaçado do estado
Estudos recentes indicam que apenas cerca de 8% do Cerrado original paulista ainda existe. O resto deu lugar a canaviais, pastagens e áreas urbanas. Cada fragmento que resta é uma ilha de biodiversidade cercada por monocultura.
É exatamente nessas ilhas que vive o lobo-guará da nossa região. Iracemápolis, Limeira, Cordeirópolis, Santa Gertrudes e Piracicaba formam um mosaico de Cerrado fragmentado, Mata Atlântica e paisagem agrícola, e os lobos transitam entre essas manchas como podem.
Por que cada fragmento importa
- Fragmentos conectados permitem fluxo gênico — lobos podem encontrar parceiros de outros grupos
- Sem conexão, populações pequenas ficam isoladas e perdem variabilidade genética
- A perda de habitat aumenta o contato com humanos, cães domésticos e estradas
O futuro depende de corredores ecológicos
A ciência aponta um caminho claro: criar corredores ecológicos entre os fragmentos. Isso significa restaurar matas ciliares, proteger reservas legais e plantar áreas que conectem manchas hoje isoladas. É um trabalho de décadas, mas é o que vai garantir que o lobo-guará continue existindo aqui.

